Nutrição na Merenda Escolar: Promovendo Escolhas Alimentares Saudáveis para Crianças

A merenda escolar tem papel importante no desenvolvimento físico, cognitivo e emocional das crianças. Para muitos alunos, é uma das principais refeições do dia. E é na escola que muitas crianças experimentam alimentos novos pela primeira vez.
Hábitos criados na infância costumam acompanhar a pessoa pela vida toda. Por isso a merenda vai além de matar a fome: ela também ensina a comer.
No Brasil, a alimentação nas escolas públicas segue o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), coordenado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e regido pela Lei 11.947/2009. A seguir, os pontos que fazem uma merenda nutritiva e como cada um funciona na prática.
Variedade de alimentos
Um cardápio variado ajuda a criança a receber os diferentes nutrientes de que precisa para crescer. Uma refeição escolar completa pode ter:
- frutas, inteiras ou em pedaços, de preferência as da estação;
- legumes e verduras, crus em saladas ou cozidos em preparações;
- cereais e tubérculos, como arroz, de preferência integral, mandioca, batata e milho;
- leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico;
- proteínas, como carnes magras, frango, peixe e ovos.
A apresentação também conta. Pratos coloridos, legumes cortados em formatos diferentes e preparações conhecidas da região tornam a refeição mais atraente. Uma criança pode recusar um alimento novo várias vezes antes de aceitá-lo. Oferecer de novo, em preparações diferentes e sem pressão, faz parte do processo.
Envolvimento dos alunos
As crianças comem com mais vontade aquilo que ajudaram a escolher ou a preparar. Por isso muitas escolas envolvem os alunos em atividades ligadas à comida.
Alguns exemplos:
- hortas escolares, em que as crianças plantam, cuidam e colhem verduras e temperos;
- pesquisas de aceitação dos cardápios, em que os alunos dizem o que gostaram e o que não gostaram;
- oficinas de culinária simples, como montar uma salada de frutas ou um sanduíche natural;
- conversas em sala sobre de onde vêm os alimentos e o que cada grupo faz no corpo.
Essas atividades ajudam a criança a entender que comer bem é uma escolha que ela também pode fazer.
Colaboração com nutricionistas
O nutricionista é peça central da merenda escolar. Pela Lei 11.947/2009, os cardápios da alimentação escolar devem ser elaborados pelo nutricionista responsável técnico. Eles precisam respeitar as necessidades nutricionais dos alunos, os hábitos alimentares, a cultura e a tradição alimentar de cada região.
Esse trabalho considera a faixa etária. Uma criança de 4 anos e um adolescente de 15 têm necessidades diferentes de energia e de nutrientes, e o cardápio acompanha essas diferenças.
O nutricionista também cuida dos alunos com necessidades específicas. A lei do PNAE prevê cardápio especial para estudantes que precisam de atenção nutricional individual por uma condição de saúde, como alergias e intolerâncias alimentares ou diabetes. Esse cardápio é feito com base em recomendações médicas e nutricionais. Por isso é importante que a família informe a escola sobre essas condições, com o laudo do médico.
Aproveitamento de alimentos locais e sazonais
Alimentos da região e da estação chegam mais frescos à escola, mantêm o sabor e costumam ter custo menor. Eles também aproximam a merenda da cultura alimentar local.
O PNAE incentiva esse caminho. A Lei 11.947/2009 determina que, do total de recursos repassados pelo FNDE para a alimentação escolar, no mínimo 30% sejam usados na compra de alimentos da agricultura familiar. A lei dá prioridade aos assentamentos da reforma agrária e às comunidades indígenas e quilombolas. Comprando de agricultores da região, o dinheiro da merenda também apoia a economia local.
Para a criança, isso significa contato com frutas, legumes e verduras frescos, colhidos perto de onde ela vive.
Educação alimentar contínua
A educação alimentar e nutricional faz parte das diretrizes do PNAE: a lei prevê que o tema esteja incluído no processo de ensino e aprendizagem. Ela dá mais resultado quando é contínua, e não uma palestra isolada por ano.
Na escola, isso pode incluir aulas sobre os grupos de alimentos, leitura de rótulos com os mais velhos e atividades práticas de preparo de alimentos simples.
A família completa esse trabalho. Algumas atitudes ajudam em casa:
- fazer as refeições juntos, sempre que possível, sem telas na mesa;
- envolver a criança nas compras e no preparo de pratos simples;
- deixar frutas à vista e fáceis de pegar;
- mandar lanches com alimentos in natura, como frutas, em vez de produtos ultraprocessados.
O Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde, 2014) traz recomendações que servem para toda a família, como comer com regularidade e atenção, de preferência em companhia, e evitar alimentos ultraprocessados.
Conclusão
Investir na nutrição da merenda escolar é investir no futuro das crianças. Escolhas saudáveis desde cedo ajudam a formar hábitos que reduzem o risco de problemas de saúde ligados à alimentação.
Variedade de alimentos, envolvimento dos alunos, cardápios feitos por nutricionistas, alimentos locais e educação alimentar contínua tornam a refeição escolar mais nutritiva e mais educativa.
A Natacha conhece esse trabalho de perto: foi nutricionista consultora em merenda escolar em 2013 e, no estágio na Secretaria de Educação de Itaquaquecetuba, deu palestras de educação alimentar para crianças de 5 a 7 anos, no Projeto Mestre Cuquinha.
Quer orientação para a alimentação da família em casa? A Natacha atende em Itaquaquecetuba, na Av. Paulista e online.

